Governo adia regra sobre trabalho em feriados e prorroga por 90 dias

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) prorrogou novamente a entrada em vigor da Portaria nº 3.665/2023, que altera as regras para o trabalho em feriados no comércio.

A decisão concede 90 dias de prazo para que representantes de empregadores e trabalhadores negociem as condições para funcionamento das empresas nessas datas.

Por que houve adiamento?

O governo instituiu uma comissão com representantes de trabalhadores e empregadores para buscar consenso sobre o tema. O novo prazo foi concedido para permitir esse diálogo antes da entrada definitiva da regra.

As entidades terão prazo de cinco dias para indicar os nomes ao Ministério do Trabalho e Emprego.

O grupo terá até 90 dias para apresentar uma proposta consensual sobre o tema. As reuniões ocorrerão duas vezes por mês, com datas divulgadas no Diário Oficial da União, sob assessoria técnica do ministério.

Segundo o governo, a criação da comissão reforça o compromisso com o diálogo social e a busca por equilíbrio nas relações de trabalho.

O tema tem gerado divergências entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial.

Sindicatos de comerciários defendem que a exigência de convenção coletiva apenas reforça o que já está previsto em lei e contribui para evitar abusos na jornada de trabalho.

Por outro lado, representantes do setor empresarial argumentam que a medida pode elevar custos, aumentar a imprevisibilidade operacional e afetar principalmente pequenos comerciantes.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alertou para o risco de fechamento de lojas em localidades onde não há sindicatos estruturados para negociar acordos.

O que fazer agora?

Mesmo com o adiamento, o momento é estratégico para:

  • Verificar se a convenção coletiva atual já trata do tema
  • Avaliar o impacto financeiro de possíveis negociações
  • Revisar práticas internas do departamento pessoal

A tendência é de fortalecimento da negociação coletiva. Antecipar ajustes reduz riscos e traz maior segurança jurídica para a empresa.

Quais os impactos para as empresas?

Empresas que funcionam em feriados devem se preparar para:

  • Maior dependência de negociação sindical
  • Possível aumento de custos trabalhistas
  • Necessidade de revisão de escalas e políticas internas

A operação em feriados sem respaldo em convenção coletiva pode gerar risco de autuações e passivos trabalhistas quando a norma passar a valer integralmente.

Conclusão

O adiamento da nova regra não significa que o tema perdeu relevância. Ao contrário, sinaliza um movimento de reforço da negociação coletiva no comércio.

Empresas que atuam de forma preventiva, com planejamento trabalhista estruturado e diálogo institucional organizado, terão maior segurança jurídica e previsibilidade de custos.

Se sua empresa funciona em feriados, este é o momento ideal para revisar a estratégia trabalhista e alinhar a operação às exigências legais que se aproximam.

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